sábado, 29 de novembro de 2008

Burn after Reading!

Sexta-feira fui ao cinema (aqui se chama bioscoop) com o Paulo. Escolhemos o cinema, o filme, e o horário pela internet. O Paulo fez a reserva e recebemos uma senha. Queríamos ver o “W”, do Oliver Stone, mas nesse dia não estava passando no Lido, na Beestenmarkt, um cinema de rua. Então escolhemos “Burn after Reading”, dos irmãos Coen, ótimos. Já tínhamos visto filmes deles, gostado, e estávamos com saudade de um cineminha. Imagine, a gente que ia pro cinema ao menos 1 vez por semana em São Paulo, ficar esse tempo todo sem ver nada na telona... eu tava supercuriosa pra ver como a coisa funcionava aqui. Porque tudo é parecido, mas com diferenças importantes.
De casa até o cinema são uns 7 minutinhos a pé. Chegamos lá 30 min. antes e o Paulo se identificou na bilheteria com sua senha. Até aí tudo normal. O ingresso não vem com lugar marcado, mas vem no nome da pessoa que reservou.
Esperamos um pouco no saguão e logo depois fomos pra nossa sala. Antes de entrar, vimos um lugar pra pendurar casaco, mas não quis deixar o meu, já que normalmente morro de frio dentro dos cinemas em SP. A sala era pequena e tinha parede de tijolos, um pouco estranho pros nossos padrões. Cadeiras confortáveis. Não podia entrar com comida (tipo McDonald’s). Sentamos, ouvimos aquela musiquinha de cinema, passaram umas propagandas, uns trailers, depois começou o filme mesmo. Eu estava curtindo muito. Suspense com certo humor negro, John Malkovich, Brad Pitt, Clooney, Frances McDormand, diversão garantida. Lá pelas tantas, na melhor das horas, eis que... PAUZE! Interromperam o filme bem no meio pra sei lá... trocar o rolo?! Faturar com a pipoca e bebida? Sabe Deus! Eu não acreditei! A gente ficou olhando um pra cara do outro sem entender nada. Só rindo mesmo!
Depois dessa pausa de 10 minutões, o filme voltou onde tinha parado e vimos até o fim. Muito bom.
E essa foi nossa 1ª. ida ao cinema aqui na Holanda. Espero que essas “Pauzes” não sejam de praxe... já bastam os intervalos comerciais de TV que duram 12 minutos cada!
Mas, resumo da ópera: vejam o filme aí sem intervalos que é muito legal! Não vou contar muita coisa, mas o Brad tá ridículo!

Visita ao Moinho

No dia 9 de novembro visitamos o Moinho de Valk, que fica a uns 5 minutos a pé daqui de casa. Apesar de moinhos serem símbolo da Holanda, na verdade este é um dos poucos que restaram em Leiden, que é uma cidade de apenas 23km2, incluindo a água (canais e rios). Numa época a cidade chegou a ter 8 moinhos, que foram sendo demolidos por não terem mais necessidade, já que surgiram fábricas modernas, e todo o processo de moagem de grãos passou a ser feito nesses locais. E esse foi o começo do fim dos moinhos.

O Molen de Valk tem 30 metros de altura. Hoje funciona como um museu e preserva alguns ambientes intactos. Quando funcionavam, eram operados pelos donos dos moinhos, que cobravam pelo trabalho de moagem, garantindo, assim, o sustento da família. Este foi habitado por duas famílias durante uma época.
Tem 7 andares, mas a gente só subiu uns 6; o último era fechado. Vimos ferramentas, maquetes de moinhos, lemos sobre a história da cidade, de como a população precisou destruir moinhos na época da invasão dos espanhóis (a guerra de 80 anos) para que não pudessem ser usados.
A vista da cidade de lá de cima é maravilhosa. O vento é que não é dos mais agradáveis. Um gelo. Mas é muito legal ver as pás do moinho girando...
Vejam mais fotos nos PASSEIOS aí em cima.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Novembro neva

Vizinho entra na Guerra!

Não, você não leu errado. Não é "setembro neva", como na velha pegadinha. É novembro neva. Pelo menos aqui em Leiden. E não é que foi nevar bem no fim de semana do meu aniversário?! Adorei. Foi um belo presente - tive um "White Birthday". Com direito a café na cama e tudo! Quem quer sair da cama com neve? Eu que não, mas as meninas adoraram que começou a nevar o suficiente para acumular nos carros e poder fazer guerrinha de bola de neve...

O vizinho da frente não resistiu - viu a Giu e a Lud brincando na rua e saiu todo encapotado pra entrar na farra da neve também. E ficaram brincando, voltando às vezes pra aquecer as mãos, vermelhas de frio. No fim, a Lud até conseguiu fazer um pequeno boneco de neve. Foi a primeira neve da estação. E olha que o inverno nem chegou ainda...



Lud e seu boneco!

Thanksgiving cartunesco

Ainda no Brasil, quando criança, eu não entendia direito o que era isso de "Dia de Ação de Graças" – mas que nome complicado! Enfim, só sabia que às vezes coincidia com meu aniversário e que rezavam umas missas e tal. Nada da comemoração propriamente dita. Mas quando moramos nos EUA, vi como os americanos comemoravam. E achei a proposta muito bacana - era um dia de agradecimento! Era esse o verdadeiro significado da data. E o Paulo, meu assessor para assuntos linguísticos e quejandos, sugeriu mudar o nome para Dia da Gratidão. Adorei.
Enfim, o que eu queria contar neste post é que fui comemorar fazendo uma visita à casa-museu dos Pilgrims aqui em Leiden.








sala da casa Pilgrim



E lá vai um resumo da ópera: os Pilgrims saíram da Inglaterra, já que eram perseguidos por serem protestantes. Imigraram para a Holanda, primeiro para Amsterdam e depois se fixaram em Leiden, que já era uma cidade muito receptiva aos, como eu diria? Refugiados. Aqui puderam praticar sua religião. Mas uma família de pai, mãe, 8 filhos morava numa casa minúscula. Era uma vida difícil, a desses Pilgrims. Parte da colônia trabalhava muito, era explorada, e vivia nessa penúria. Mas quando seus filhos começaram a adotar costumes e a língua holandesa... ah, isso foi demais pra eles! rsrsr Eles então resolvem embarcar para a América, no famoso Mayflower, onde poderiam recomeçar suas vidas com liberdade e longe dos “maus costumes”...
Enfim, blábláblá, muitos outros sofrimentos depois... eles fazem um almoço em agradecimento aos índios (nativo-americanos, politicamente falando), e comem peru, milho, abóbora, etc. para festejar. Enfim, isso é parte da mitologia. Pelo que sei esses Pilgrims festeiros nem devem ser os mesmos puritanos saídos da Inglaterra...

Mas nós comemoramos o nosso Thanksgiving aqui com direito a peru, gravy feito em casa, muita salada e purê de batata, que as meninas adoram. Nada de pumpkin pie ou cranberry sauce. Mas foi ótimo, agradecemos por estarmos aqui juntos e a Lud agradeceu pela “comida de desenho animado” que comemos... e até consegui assistir a um jogo ao vivo da NFL (futebol americano) - Titans contra Lions - uma lavada! Um "típico" Thanksgiving, after all. Dag! Tot ziens...

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Sinterklaas, Zwarte Piet & Pepernoot

Como vocês que me acompanham, eu também vou aprendendo holandês do jeitinho brasileiro: com a cara e a coragem. Claro que aprender fica melhor e mais fácil se estivermos imersos no ambiente e se vem acompanhado de um TPR e outras brincadeiras (os professores de inglês vão me entender), mas em linguagem para leigos quer dizer simplesmente aprender vivenciando, experimentando. No nosso caso, comendo, vendo, sentindo, vivendo...


Esse aí é um dos Zwarte Pieten, o musical, com saco cheio de pepernoot!

Comemos a tal pepernoot (bolachinha) domingo passado (http://en.wikipedia.org/wiki/Pepernoot), durante as comemorações da chegada de Sinterklaas (http://en.wikipedia.org/wiki/Sinterklaas) - o São Nicolau - que era originário daqui da Europa, foi de navio pras Américas e de lá, saiu transformado e virou o famoso Santa Claus, nosso Papai Noel. Entenderam? Sinterklaas = Saint-Santa Claus = São Nicolau = Papai Noel. A figura do velhinho bondoso, de barba branca, roupa vermelha e botas que traz presentes é bem parecida. Sinterklaas não é gordinho como Papai Noel e em vez de duendes, anões que fabricam e ajudam na fábrica da Lapônia (como reza a lenda), ele aqui vem da Espanha de barco, acompanhado por um monte de Zwarte Pieten, uns rapazes mouros, de cabelos encaracolados, roupas coloridas e muito brincalhões. Sinterklaas é o santo patrono das crianças e, como tal, muito amado e admirado.


Fomos à chegada, vimos Sinterklaas chegar de barco pelo canal e partir montado no Americo (esse cavalo branco aí) e agora ele está lá com os Pieten num local perto da prefeitura (Stadhuis) até dia 6 de dezembro. Então, este ano, vamos ter dupla comemoração - Sinterklaas e Natal. Ah! E dia 26 é feriado aqui também! Eba! E haja presente!

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Sint Maarten

Lud, Myra e Christy

lanterna de beterraba da Lud

Sint Maarten escavado na abóbora por Monique

Esperamos com ansiedade a chegada do dia 11 de novembro. Era o dia em que a Ludmila iria visitar a 1a. amiguinha e que faríamos a caminhada de Sint Maarten. A data é comemorada mais por escolas antroposóficas, como a nossa, mas não pelos holandeses em geral. Estávamos bem curiosos, porque não conhecíamos esse santo, e aqui ele é muito importante. Eram 18h e a noite prometia. Com as luzes apagadas, ouvimos um conto no teatro da escola, que estava supercheio. Me senti realmente em casa, aconchegada, muito feliz de estar ali compartilhando aquele momento com outras famílias, apesar de não entender tudo que era dito. A Lud tinha ido direto da casa da Yuri na bicicleta de 3 lugares (!) logo depois do lanche e, na escuridão do teatro, nos encontramos todos depois da história. Aí veio a parte mais emocionante, para mim, em que sempre choro nessa festa em SP. Em fila, as crianças saíram do teatro, carregando suas lanternas de beterraba, acompanhadas de uma sanfona e cantando - em holandês, claro - a música da lanterna! Não acreditamos! Foi demais, mesmo!
Depois disso, o passeio propriamente dito. Cada classe, com seu professor, percorreu um trecho do bairro, cantando pelas ruas e batendo nas portas das casas das pessoas, que deram doces, frutas, biscoitos. Uma verdadeira festa! No final, todos voltaram para a escola, onde tomamos uma bela sopa preparada com os "pedaços da lanterna" escavados da abóbora, da beterraba etc. Lá reencontramos outros pais e professores, e aprendemos a história de Martinho, que ele de fato existiu e não é só conversa-pra-boi-dormir. Gostamos muito do "famoso" (aspas, porque eu não conhecia) episódio do manto.
"Um dia um mendigo que tiritava de frio pediu-lhe esmola e, como não tinha, o cavalariano cortou seu próprio manto com a espada, dando metade ao pedinte. Durante a noite o próprio Jesus lhe apareceu em sonho, usando o pedaço de manta que dera ao mendigo e agradeceu a Martinho por tê-lo aquecido no frio. Dessa noite em diante, ele decidiu que deixaria as fileiras militares para dedicar-se à religião."
Não se parece com o nosso famoso (mesmo) "ensinar a pescar e não simplesmente dar o peixe"?
Gostamos muito de conhecer o lado B da festa da lanterna, versão holandesa.


domingo, 16 de novembro de 2008

Feira de sábado!



Congestionamento, só na feira!

Manga, chuchu, produtos exóticos


Giu e kippeling


Lud, encapotada, na barraca de flores

Nem preciso dizer que, na Europa, feira é coisa antiga. Sei lá, há séculos eles trocam, vendem, e compram de tudo. As ruas de Leiden onde a feira de quarta e sábado funcionam têm nomes que lembram essa época antiga: Vismarkt (mercado/feira do peixe), Kaasmarkt (do queijo), Varkenmarkt (porco) e por aí vai. Essa é uma particularidade desta cidade: a feira não acontece numa daquelas praças de mercado centrais, como em várias outras cidades daqui.

Nestas ruas tem alguns prédios bem interessantes - o do Peso, onde as mercadorias eram claro, pesadas, para ninguém trapacear na negociação, e ontem naquela confusão de gente e coisas vi uma escultura homenageando "gente-que-vendia-cortes-de-tecido" - tem nome pra isso?
Isso aqui fica bem cheio de gente comprando de tudo: desde abajur, roupa, tecidos por metro, pães, queijos, doces, frango, peixe, azeitonas, artigos de farmácia e bicicleta, frutas secas, comida oriental, até os óbvios legumes, frutas e verduras. Enfim, uma verdadeira feira. Os preços são até razoáveis, considerando o euro. Imperdíveis: espinafre a $1,98 o quilo que comprei 2 feiras seguidas, que são macios e aveludados, e derretem na boca! E, Agenor, acredita que aqui também tem chuchu!?

Muita gente vem pra passear e comer o pastel da feira daqui, petiscos tailandeses com molho picante - loempia e risol - que são frituras com cara e sabor de rolinho primavera e empanada). E também arenque no pão e umas iscas de peixe (kibbeling) com molho de alho (delícia) e lekkerbek, uns filés empanados que comemos ontem. Os peixes e as comidinhas tailandesas já foram aprovados. O arenque - comido cru - fica pra outra semana.

Os feirantes daqui têm estilos variados - tem os que mal murmuram qq coisa incompreensível e tem o peixeiro animado que fala comigo em uma mistura de línguas, nem posso dizer que é portunhol, é pior que isso - arranhamos espanhol, italiano, português, inglês, holandês e até japonês em menos de 5 minutos, que foi o tempo que durou minha compra. Um dos fregueses disse que ele podia trabalhar como tradutor. Por mim, podia até trabalhar na ONU... heheheheh...

domingo, 9 de novembro de 2008

Hortus Botanicus

Jardim japonês, né?

Dálias "sombrero"


Portão!


Parece nome de personagem do Harry Potter, mas é só o Jardim Botânico daqui. Foi inaugurado em 1590, como dá pra perceber aí pelo portão de entrada. Foi nosso passeio de domingão - 2-11-08. Tem coisas incríveis, tipo uma alameda com plantas carnívoras. Muito legal. Uma estufa especial pras plantas de floresta tropical, que claro, fomos, e quase morremos de calor... pq acho q já nos acostumamos com o frio daqui - antes de voltar pro Brasil talvez seja bom a gente se aclimatar lá antes... rsrsr.


Mais fotos? Entrem no meu Spaces e vejam um álbum inteiro lá: http://iedayamasaki.spaces.live.com/photos/

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Marecollege


É bem diferente do que eu imaginava. Coisas em comum são o verso da manhã (que eu estou tentando decorar), os cadernos, a marcenaria. Coisas diferentes são muitas. Penduradores de casaco perto de todas as salas, uma sala para cada matéria - a sala de biologia tem até um aquário, a de história tem computadores para pesquisas e pôsteres sobre as épocas da história dos Países Baixos.
Outra coisa muito diferente é o esquema HAVO/VWO. HAVO são as pessoas que escolhem estudar mais história, economia, geografia. VWO são aqueles que escolhem física, química, biologia, que foi o que eu escolhi. E temos livros de todas as matérias.
Além dos esportes diferentes... primeiro tivemos softbol, agora estamos tendo boxe!
Me falaram que tem dois meninos portugueses na escola, o Francisco e o Vasco. Espero algum dia encontrar eles pra falar um pouco em português...

Giulia