quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Naturalis!!!

Quando pensei em visitar o Museu de História Natural daqui de Leiden, não imaginava que seria tão legal. Eu esperava encontrar bichos empalhados num prédio bem antigo - a la Smithsonian - afinal, estamos ou não no "Velho Mundo"?
Mas o que vimos foi essa maravilha aí - http://www.naturalis.nl/
Gente, o Naturalis é DEMAIS!!!! Passamos um domingo inteiro lá... chegamos cedo e fomos quase os últimos a sair.
Ele é enorme, lindo, bem montado, confortável, surpreendente... esses bichos nos recepcionam na entrada da 1a. sala, e daí pra frente é uma aventura atrás da outra.


O museu tem várias ambientes diferentes, temáticos.
Esse mostra os bichos em movimento, caçando, voando etc.


Esse abaixo é uma espiral que mostra como as espécies. As luzes se apagam e acendem, mostrando a evolução da vida.

Esta sala é toda sobre a Terra, seus movimentos, fusos, crosta, vulcões, e além das explicações, pode-se mexer em quase tudo!!!! Tudo didático, mas sobretudo, divertido e interessante... fico só imaginando as aulas de biologia, história, geografia num museu desses, e é isso que mais invejo no dito 1o. mundo!

Giu carregando o mundo nos ombros...


Alguns bichinhos empalhados pareciam sorrir e olhar direto pra gente!
Ó esse ursinho! Vontade de levar pra casa...

Claro que a parte dos bichos foi uma das mais campeãs...
As placas indicavam: pode acariciar, mas não montar.

A exposição especial temporária agora é sobre os gnus. Logo na entrada do museu, passando a lojinha, havia um ateliê onde as crianças ouviam histórias e faziam um chifre pra levar de lembrança. Os mais desencanados já saíam com o adorno na cabeça.

Esse aí é o famoso chifrudo

No 5o. andar tinha uma sala inteirinha para eles. Subimos num jipe onde observam gnus na África, tocamos neles, aprendemos um pouco como vivem, o que comem, até isso aí do lado...

As meninas brincaram de um jogo de descobrir o bicho pelo formato do cocô... Funciona assim: tem vários bichos e vários cocôs. Você toca ao mesmo tempo no bicho e no cocô que você acha que é. Soa um sinal que "certo" ou toca uma campainha de "errado".

Adivinha se esse jogo não foi repetido várias e várias vezes?

Esses meninos aí então urravam, pois era um "jogo de acasalamento". Como os gnus atraem as fêmeas urrando e batendo os cascos, eles deviam usar dessas artimanhas para ver quantas gnus cada um conseguia atrair. E quanto mais barulho, melhor.
No amor dos gnus, não tem essa de much ado about nothing...




Bem, se tem um lugar que podemos recomendar, em qualquer época ou estação, e que sempre vamos lembrar quando pensarmos na Holanda é esse!
Suuuuper-recomendo pras crianças de fato e de coração!
Se der, depois de dermos outras voltinhas pela Holanda e pela Europa, voltaremos pra lá.
E se alguém um dia vier pra Holanda, não deixe de vir aqui... e reservar o dia todo, é demais.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

sábado, 20 de dezembro de 2008

Paradijs!

RIBBELS, ALLES OM TE BREIEN

Lã que não acaba mais!!!!


Essa é minha idéia de paraíso na terra!
A primeira vez que vi, da rua, essas prateleiras cheias de lã, não acreditei!
Não é a coisa mais linda do mundo?
E hoje, finalmente, consegui entrar na Ribbels!!!! (http://www.ribbels.nl/)
Me senti nas nuvens, passeando e tocando naquela maciez toda.
A maioria das lãs vendidas lá é lã 100% ou algo próximo, coisa muito boa. Lã não só da carneiro. Lã de várias origens. Lãs de vários países. De várias texturas e cores diferentes. E preços exorbitantes para meu pobre bolso brasileiro...
E tem revistas e livros e agulhas e todos os acessórios... e cursos... preciso dizer mais?
E a vendedora, muito simpática, ficou surpresa quando disse que era do Brasil e gostava de fazer tricô com um grupo de amigas.
Comprei a lã, conversei um pouco, ganhei a receita do cachecol da foto, que é o que vou fazer em breve... mas não vejo a hora!
Estes são os novelos de lã Merino da Ciao - italianos - comprados lá, que mostro aqui, em primeira mão.
Antes que ele vire um cachecol durante a viagem de trem para Paris, onde vamos passar o fim do ano com as meninas. =)))
Mas este é outro sonho a ser realizado ainda.
Depois conto mais!

Santa Claus is coming to town...

Papai Noel está chegando a Leiden e a todos os lugares... porque é preciso. O mundo fica muito mais bonito, alegre e colorido. E apesar da dita crise, aqui as ruas estão cheias de gente andando... Algumas lojas estão bem cheias. Mas outras estavam incrivelmente "circuláveis". Pouca fila, o que me surpreendeu. Isso neste finde que é o último antes do Natal.
Vai ver os holandeses não dão mesmo tanta bola pro Natal como eu suspeitava...


Saem Sinterklaas, Americo e os Pieten. E os pepernoten.
Agora é vez de Papai Noel, renas, duendes, bonecos de neve.
De "carols" nas ruas e nas igrejas.
De concertos do advento e peças de natal.
De jingle bells, Noite Feliz, Rodolfo, a rena do nariz vermelho.
De festas e mais festas.
De chá com biscoito e bolo e de muito chocolate, que aqui é frio e essa é uma boa desculpa pra comer chocolate (como se precisássemos...)
De comer peru e lichia... não necessariamente juntos.
De comer panetone - aqui também tem! - vi numa loja de produtos italianos rsrsr...
De curtir o Paulo e as meninas, que já estão de férias, em casa.

De desejar a todos os nossos amigos e familiares muitas felicidades no Natal e no novo ano que se aproxima...
É hora de dizer que sentimos muitas saudades do Brasil, e que vou sentir mais ainda neste fim de ano, por estar pela segunda vez na minha vida, longe da minha família em São Paulo e Jundiaí... chuif... vocês não sabem como todo ano eu aguardo chegar esta época do ano pra estar com vocês reunidos "lá em casa"! Quero agradecer de novo a todos que de alguma forma ou outra nos ajudaram a vir pra cá e continuam nos ajudando...
seja esquentando o motor do carro...
pegando a correspondência...
arejando o apartamento...
usando o banheiro em casa...
cuidando de nós de longe...

seja nos mandando email...
comentando o blog...
ou falando pelo Skype...

ou nos ajudam simplesmente por existirem e fazerem parte das nossas vidas.
Muito obrigada, mesmo, a todos vocês, queridos...

Feliz Natal!

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Aniversário do Adrie


Também no sábado dia 14, fomos à festa de aniversário do dono da nossa casa aqui. Eu tava mais pra lá do que pra cá depois da ida (e volta) para o bazar, mas... enfim, a curiosidade venceu o cansaço, então saímos, de novo com nossas bikes, inseparáveis agora, pro frio da noite. Mas quem resiste a um convite desses aí?
Quem nos recebeu na porta do Storm com uma taça de champanhe foi essa figura loira que completou 50 anos, quem diria... nosso ilustríssimo vizinho e dono do nosso imóvel... Adrie. Ou A3 - três em holandês é drie. Ensaia com a banda toda semana. Quando ele morava na nossa casa, tinha guitarra em tudo quanto é canto. Enfim, cada um tem o proprietário que merece...


A Maureen é essa oriental meiga aí dando uma de crooner. Ela ainda é um mistério para nós. Fala holandês superfluente, mas com essa cara, não sei se nasceu aqui ou é holandesa paraguaia. E conhecemos a irmã dela, Esther, a cara dela!
Dá pra perceber que muitos estavam de fantasia? Eu quero dizer, os holandeses são bem flexíveis no vestir, mas também não é assim que eles andam normalmente...


O posto de fotógrafo oficial era de um vietnamita amigo do Adrie... esqueci o nome dele, ou nem ouvi, tamanho o barulho lá no clube. De qq forma, não é a coisa mais fácil do mundo conversar num clube com música beeem alta, todos gritando e o cara falando um inglês com um p* sotaque do caramba... O teto estava enfeitado com gorros de Papai Noel, cúpulas, luzinhas...
tudo controlado por esse outro "senhor", o DJ, que pra mim, arrasou... Tocou muitas músicas anos 80 e 90, a tônica da festa. Apareceu vestido de hippie... trocou de roupa várias vezes...
E ainda por cima...




era pai dessa moça, a vocalista da banda que abriu o show para o grupo do Adrie. Eles cantaram músicas em inglês e uma em holandês que incrivelmente eu conhecia, de tanto que a Giu ouve aqui em casa... "Alles is liefde", do Blof. É assim mesmo que escreve, gente e quer dizer "Tudo é amor"! Dá pra ouvir aqui: http://www.youtube.com/watch?v=8Kz0yYQERTc

Depois disso, veio o Adrie e a banda, cantando músicas de natal e outras, e surpresa das grandes, todas em inglês!!!!! Que mania, não? Cada vez mais gosto de música brasileira... e foi isso que demos de presente, um CD de músicas brasileiras que gravamos em casa, 100% piratão e dos bons... tirando a música da Eliana, que sem querer, baixou. O Paulo tinha escrito "A Bela e a Fera", pensando no Tim Maia. Quando vimos, já tinha gravado... hahahaha. Que hilário. O jeito foi fazer outra cópia, e excluir essa aí, tema do filme da Disney.

Pra completar, ainda teve esses alemães que tocaram umas músicas clássicas e modernas maravilhosas...
A mistura foi boa, e terminamos nosso agitado dia indo pra cama bem tarde... pra acordar prum domingo superpreguiçoso aqui em Leiden. =)

domingo, 14 de dezembro de 2008

Bazaar!

Lud e Jotte voltando do passeio de pônei

Sábado pela manhã fomos ao Kerstmarkt da escola Mareland Zuid, nossa escola-irmã. Horário de funcionamento: 10h30 às 15h! Vamos correr, já é quase 12h!
Fomos pedalando, achava que nunca ia chegar... afinal, moramos na parte norte, e essa escola fica na parte sul... foi humilhante ter sido ultrapassada no caminho por um casal de velhinhos de bicicleta - e com sacolas - mas, aos trancos e barrancos, chegamos.
Muitas surpresas nos aguardavam.
Logo que chegamos vimos um cenário para um presépio vivo, onde quem não conseguiu ser Maria e José na peça de Natal teria, finalmente, sua chance! Havia um "camarim" para a família se vestir com os trajes. E no presépio, além da palha, da manjedoura, da estrela de Belém, havia até animais tipo bode, ovelhas, e pôneis... tudo isso pela módica quantia de $2,50. A sua foto natalina personalizada seria enviada por email!

Não tiramos a foto, mas claro que a Lud quis ir dar uma volta no pônei. A temperatura era de um grau, mais pra menos. Tomamos chocomel e deixei o vinho quente pra depois.

Logo na entrada uns garotos vendiam as fichas, tipo vários $0,50 numa cartela de bingo, para serem riscados nas barracas conforme a gente consumia. Interessante...

Essa foi minha peça favorita do Bazaar todo: um tapete feito de tricô 3D com lã 100%! Só $150 euros. A artesã é enfermeira e tricota nas horas vagas... esse tapete ela levou 3 meses para fazer. Um dia eu chego lá.

No térreo, fomos logo as salas de aula e à sala do teatro. Lá acontecia o Markt, onde os produtos antroposóficos eram vendidos e onde ocorriam as apresentações de alunos. Uma grande diferença aqui: comerciantes, artesãos e lojas participantes pagam uma taxa para expor, e ficam até o horário combinado. Havia um tipo de barraca de frutas e verduras "biologisch", ou seja, orgânicos, presentes variados de inspiração antroposófica, Weleda, livros, material escolar, kits de artesanato, roupas de criança, brechó, anjos, presépios, velas... Percorremos várias outras salas, onde aconteciam os ateliês - decoração de vidro, faça sua laranja perfumada, seu enfeite, afinal é época de natal.

Havia também os tradicionais cadernos e trabalhos dos alunos. Só que não é o caderno final, já que o ano escolar ainda está pela metade.





No restaurante, que ficava na sala de euritmia, serviam sopas com pão, sanduíches e tortas, quiches, bolos e outras guloseimas. Além de café, suco e chocolate. Tudo no mesmo lugar, e além das mesas feitas de carteiras, das cadeiras, dos bancos, havia o piano e voluntários -pais e professores- se apresentando no meio de tudo isso. Um verdadeiro bazar. Eu tenho várias outras fotos, que tirei por razões puramente interesseiras e espionásticas.


Está tudo aqui: http://iedayamasaki.spaces.live.com/default.aspx

PS: Apesar de tudo que vi ser lindo, ainda acho nosso bazar de SP muuuito melhor. Mas ficam aqui algumas sugestões pro futuro, quem sabe?

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Você sabe que é Waldorf quando...


* Você ainda não entende por que o dia de São Micael não é feriado nacional;
* Você teve que explicar nas suas férias do segundo ano por que estava procurando uma pena bem bonita... E contava que era para começar as aulas de caligrafia!
* Você toca instrumentos e canta afinado;
* Você já usou sapatilha e bata de euritmia;
* Quando você entra na faculdade, ainda acha que a primeira aula é de época;
* Você sabe que os restos do lápis apontado deixam todos os "fundos" mais bonitos;
* Você falava o verso da manhã todas as manhãs;
* Você agradecia os alimentos antes de comer;
* Cordas e balanços pareciam muito mais atraentes do que brinquedos de plástico;
* Você construía a sua própria louça de argila;
* Suas bonecas eram de pano;
* Quando suas calças rasgam, em vez de jogá-las fora, você as costura;
* Todos na sua escola sabem quando você começa a namorar ou termina com algum, mesmo que nunca tenha falado com você;
* Você sabe que não deve respirar perto da tinta azul enquanto a prepara para a aquarela;
* Subir em árvores e, em alguns casos, em telhados, era a coisa mais normal do mundo;
* Toda semana atá a 4a série havia um novo desenho na lousa que sua professora fazia;
* Aniversário da escola era dia de festa;
* Você conhece todas as histórias da Bíblia, mesmo sem ter pisado uma vez sequer na igreja;
* Você não tem idéia do que é ser nerd, jogador de futebol ou líder de torcida;
* Quando você se forma, podem colocá-lo para falar na frente da China que você não tem vergonha;
* Quando você precisa fazer um trabalho, tem que ficar perfeito e, se possível, com uma capa em degradê;
* Se as cores não combinam, você se incomoda;
* Você fica ansioso pela chegada de São Nicolau e seus ajudantes bravinhos;
* Você pula que nem louco na peça de Natal pra pegar biscoitos;
* Desde pequeno, você aprende a conversar com as plantas, as pedras e os animais;
* Metade dos seus amigos é vegetariano e também metade deles leva marmita para a escola;
* TODOS os seus amigos/colegas moraram/têm amigos em/viajam para/conhecem o Bairro Demétria em Botucatu;
* Parece natural ter 4 aulas duplas de artes por semana e não entende porque seus amigos de fora acham isso estranho;
* Carrega um estojo de lápis de cor mesmo estando no último ano do colegial;
* Fez 9°, 10°, 11° e 12° anos;
* Alguém pergunta porque sua escola não tem 1°, 2° e 3° colegial e você, para simplificar, fala que é porque sua escola é alemã. Daí quando pedem para você falar alemão, você tem que contar que não sabe muito mais que eins, zwei, drei...;
* Ao terminar a escola tudo o que você quer é sair do Brasil e ir fazer Camphill em algum lugar da Europa;
* Só toma remédios da Weleda ou da Sirimim;
* Sabe quem foi Parsifal;
* Viaja com a escola para medir terrenos;
* Acha que folhas pautadas atrapalham;
* No primeiro ano, todos usam lancheira de couro com enxoval de lanche;
* Fazer sua própria capa de flauta doce é a coisa mais normal do mundo;
* Você fez seus pais assistirem suas apresentações do primeiro ao quarto ano com todas as cantorias agudas e flautas desafinadas;
* Você era obrigado a tomar chá de camomila, erva doce e hortelã no jardim;
* Você já escutou várias vezes sua mãe praguejando que tinha que fazer 3 bonecos de pano e um presépio para vender no bazar de final de ano;
* Você sente falta dos últimos 15 min de aula de época, que tinha a historinha em capítulos que o P.C. contava;
* Trabalhos manuais não são só coisa de menina;
* Você já teve que passar turnos vendendo churrasco, suco e cachorro quente, pizza, caldo de cana... no dia de São João;
* Você sabe o que é uma Festa da Lanterna;
* Você estuda o Egito fazendo um papiro e depois escrevendo nele;
* Várrios prrofessorres seus têm sotaques estrrangeirros, prrincipalllmente da Alemanha e da Suíça;
* Você ainda lembra da vaca que lambeu o gelo e criou o homem na Mitologia Nórdica;
* Você gostava de mexer com minhocas no jardim da infância;
* Você parou de gostar de minhocas nas aulas de jardinagem;
* Quando você colhia algum legume da plantação da aula de jardinagem, levava;
* todo orgulhoso pra casa e fazia todo mundo experimentar na hora do jantar;
* No aniversário, ganhava uma pedrinha preciosa que seu "amigo gnomo" escondia em algum lugar da classe;
* No dia de São Nicolau, ficava cayando as benditas estrelinhas no pátio;
* Chama seus "recreios" de "pausas";
* Considera sua classe sua família, onde todos são primos.. menos o seu namorado, sua paquera...;
* Você briga com sua classe, mas se alguém mexer com ela, chiiii...;
* Se você acha estranho a cantina da escola vender refrigerante;
* Acha que comer coisas integrais é a coisa mais normal do mundo e não entende quando as pessoas nunca comeram um pão integral com queijo branco e mel,
* Acha estranho tomar refrigerante de manhã;
* seu passatempo é fazer crochê ou tricô;
* Você tem mais canetinhas, lápis coloridos e giz de cera do que a sua priminha de 3 anos;
* Viajar toda a classe junta na viagem de formatura é a coisa mais óbvia do mundo, porque afinal vocês passaram 12 anos da vida juntos;
* Waldorfs não usam canetinhas... Uam giz de cera de abelha... Muito melhor!!!
* Ai, outra coisa... Qando a gente fala Waldorf, e uma pessoa "conhece" um pouquinho, ou só de nome, ela quer corrigir a gente: "Ah, você quer dizer UALDORF...";
* Não, minha filha... Eu estudei, me formei, e não só eu como todos chamam-na de Waldorf (Valdorf );
* Waldorf que é Waldorf SABE desenhar;
* Marcenaria? É arte, meu bem;
* Você adora aprender, estudar... Mas estudar para você não tem o mesmo significado que para o resto dos mortais;
* Durante muitos anos você não sabe que existem canetas esferográficas;
* Seus cadernos são coloridos e cheios de desenhos... Alguns trocam de cor a cada parágrafo, outros pela classe gramatical, outros quando acham bonito;
* Você não fala palavrão... Pois num dia infeliz, alguém lavou sua boca com sabão..;
* Você tinha uma coleção de selos..;
* Você jogava queimada em todos os intervalos;
* Seus amigos não sabem como você aprendeu a jogar tanta coisa diferente, handball, baseball, etc..;
* Morria de medo de passar atrás do gol quando o 12° ano jogava..;
* Saía na rua com lanterninhas acesas cantando musicas... Era bonito, mas eu odiava!
* Você finalmente descobre que ser Waldorf é bom, quando os professores de outras escolas dizem que o ensino ideal é muito parecido com aquele que recebeu na sua escola Waldorf;
* Quando, em outras escolas, suas redações são muito mais criativas;
* Seus desenhos são muito melhores do que dos outros;
* Você é Waldorf quando, ao invés de aprender a ler e escrever logo no pré, ou de cara no grau, aprende a respeitar a natureza e as pessoas, valorizar o espírto. Todo o resto é conseqüência..;
* Usa caneta tinteiro!
* Zoam de você quando ficam sabendo que os meninos também fazem tricô e trabalhos manuais;
* Você come granola no jardim, aprende a escrever no segundo ano, e faz uma casinha no terceiro ano;
* As suas roupas não são de marca até o quarto ano, no mínimo;
* A gente só aprende sobre os invertebrados no sétimo ano, quando na escola tradicional eles aprendem na segunda série;
* E NINGUÉM VÊ DIFERENÇA ENTRE ARTES APLICADAS E ARTES!
* E o preto é a ausência de cor;
* E só na nossa escola "TODOS VENCEM";
* Se o seu trabalho é pior do que o dele, tudo bem, porque você aprendeu com o trabalho dele, e bla, bla, bla!
* A pessoa fala um verso de manhã, no dia da semana em que ela nasceu;
* As crianças gostam de brincar com pazinhas de madeira;
* Fadas e gnomos eram seus amigos de infância;
* Tricotar não é moda, você o fez desde o primeiro ano;
* Você fez meias, casacos, bichos de pelúcia e suas próprias roupas;
* Os manequins sem rosto não assustam, mas se parecem com seus desenhos de infância;
* Você entende que deve aprender tudo em épocas porque certas coisas devem "dormir em nós para amadurecer";
* Você pode soletrar com seus braços;
* Você já gostou de todos os meninos ou meninas da sua classe;
* Por alguma razão, ter o mesmo professor por oito anos parece normal;
* Quando seu boletim de final de ano vem escrito pela P.C., e o do colegial é colorido;
* Quando o boleto de pagamento vem em letras que não possuem cantos retos;
* Quando você tem a semana da primavera ou da batata, e não do saco-cheio, (ou quando tenta falar igual os outros diz semana do saco cheio de batata!!!);
* Quando você teve que fazer trabalho anual, e deixou tudo para a última hora;
* Se os nossos pais recebem presentes no dia deles, e ficam felizes por terem recebido um cartão, ou um desenho, ou um porta-retrato que a gente desenhou com os malditos tijolinhos de cera;
* Tem que ter paciência para assistir as nossas 1000 apresentações, sem contar as das festas semestrais.

GEA (Grupo de Ex-Alunos Wadorf)

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Amster-damn!

Oi e tchau, Ceifador! Vai indo que eu não vou...



Sim, devo confessar que sair aqui do interior e ir pruma metrópole me assustou um pouco. E nem tem a ver com esse meigo senhor de capuz preto e foice, espada, buzina aí de cima não...











Amsterdã é como Leiden, só que bem maior e com todas as facilidades e complicações. Apesar da presença tranquilizante do Cavaleiro das Trevas e dos alegres pingüins na praça central, já tem mais trânsito - coisa rara aqui em Leiden - de carros, bondes, barcos, bicitáxis, bicicletas-, já tem McDonald's e outros milhares de fast-foods indianos, indonésios, argentinos, holandeses. E gente, muita gente andando, os japas como sempre em bando, e batedor de carteira, afinal Sinterklaas já passou mas ainda tem Papai Noel, e todo mundo anda abonado e quer fazer compras apesar da crise, e além de tudo isso, ainda tem turista do mundo inteiro pra tudo quanto é lado. E tem brasileiros, que se fazem notar, e que nós meio que despistamos, com minha cara de japa e a de azerbaijano do Paulo... para dar uma de turista neste finde.





Mas a cidade também tem seu lado mais calmo. É só sair um pouco da praça do Palácio Real, do comércio agitado, dos shoppings centers, dos que tentam nos vender de tudo (tudo mesmo), e andar pelas ruinhas e canais, e foi justamente isso que fizemos. Acho que muitos que vêm pra cá querem viver Amsterdã no limite - ir às compras... visitar o bairro da luz vermelha... beber Amstel, Heineken até cair na rua... fumar maconha, ingerir cocaína e ecstasy como se não houvesse amanhã... enfim... gosto é gosto e tralalá...




Então fomos começar por andar pelas ruazinhas estreitinhas, vendo vitrines de lojas - fechadas -, pois apesar de ser dezembro, o comércio aqui não fica aberto até não sei que horas como SP... isso é algo que estou tentando me acostumar, pois tudo abre meio tarde e fecha bem cedo, tipo 17h. Sem contar o dia da folga das lojas...




"Het Achterhuis" (A casa dos fundos)
Atrás desta estante de livros

ficava o esconderijo onde morou a família da Anne


Demos uma passada na casa da Anne Frank. A fila era grande, o frio e a fome também. A saída foi comer num banco ali perto, descansar e enfrentar a fila. Que valeu a pena. O lugar é triste, já chorei na primeira sala logo que entrei. Mas é tudo muito bonito, simples, e emocionante. Vou ver se leio de novo o diário, agora sob nova perspectiva. Compramos a versão original, em holandês. Na livraria havia edições nas línguas mais faladas e lidas - inglês, espanhol, alemão, francês... e outras, nem tanto assim - hebraico, bengalês, russo, árabe... A Giu vai ler na versão original, sem tecla SAP.



Depois do tour pela casa, uma merecida pausa pro cappucino e chocolate no Bagels & Beans.
Hummmm... nada como esquentar a alma e o corpo...



Quando já estávamos nos dando por satisfeitos, resolvemos dar uma volta de barco pelos canais. Estávamos meio cansados. As meninas até cochilaram, mas acordaram quando o barco saiu dos canais e entrou na área do porto, ou seja, foi pro mar.





Isso aí que parece navio é o Centro Cultural Científico - http://www.e-nemo.nl/. Foi projetado pelo mesmo arquiteto do Centro George Pompidou (que adoro) em Paris. E se for tão legal como seu primo francês, deve ser o máximo!

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

As Moedas-Estrelas

Ilustração de capa do livro "Moedas de Estrelas e Outros Contos" dos Irmãos Grimm, Editora: Associação Pedagógica Rudolf Steiner.


Como é época de natal, quis dar um presente pra Lud, mas algo feito. Então, como boa mãe Waldorf, fui primeiro fazer uma oficina, onde poderia aprender a trabalhar melhor a técnica de "pintar com lã", a feltragem com agulha, aqui chamada de "Prikvilten". Era um workshop pago, mas valeu a pena. Conheci algumas pessoas, como a Cristine, uma mãe suíça, que orientava e dava dicas sobre a técnica - aquela em que temos que pinicar com a agulha, que só de lembrar das picadas que dou em mim mesma, sinto arrepio... mas o resultado compensa, apesar de ser a 2a. vez que faço isso na vida. A 1a. vez que trabalhamos com essa técnica foi em SP, naquele dia gostoso no apê da Ana Paola, seguindo orientação da Ana Carla, uma verdadeira artista. Meninas, as mães aqui também fazem umas coisas lindas!
A Cristine levou tudo: lã, molduras, livros, agulhas e sugestões de desenho. Escolhi fazer a ilustração do conto "As Moedas-Estrelas", dos irmãos Grimm, que eu não conhecia... outras escolheram a Virgem com o menino, ou a cena do presépio, etc. Trabalhamos durante umas 3 horas e o resultado foi esse quadro impressionista feltrado aí embaixo! Como acompanhamento, imprimi a história e demos de presente de Sinterklaas.

E agora compartilho a história da menina do quadro com vocês. Será que alguém conhece esta? Não vale dizer Tia Olga e Deolinda, ok?

As Moedas-estrelas
Era uma vez uma menininha que não tinha pai nem mãe, porque eles haviam morrido. Ela era tão pobre que não tinha mais quartinho para morar, nem caminha para dormir e, por fim, não tinha mais nada além da roupa que trazia no corpo e de um pedacinho de pão na mão, que lhe fora dado por um coração compadecido. Mas a menina era boa e devota, e por estar assim abandonada por todos, ela saiu andando pelo campo, confiante no bom Deus. Então ela encontrou-se com um mendigo, que disse: - Ai, dê-me alguma coisa para comer, estou com tanta fome! A menina entregou-lhe o seu pedaço de pão inteiro e disse: - Que Deus o abençoe para você! - e continuou o seu caminho. Aí veio ao seu encontro uma criança, que lhe disse chorosa: - Estou com tanto frio na cabeça, dê-me alguma coisa para cobri-la. Então a menina tirou o seu gorrinho e o deu àquela criança. - Vá com Deus. Que ele a mantenha sempre aquecida. Finalmente, ela chegou a um bosque e já estava escuro. Então apareceu mais uma criança, pedindo um casaco, e bondosa, a menininha pensou: "Tudo bem, ali tem algumas folhas secas que me aquecerão durante a noite". E ela tirou a sua última peça de agasalho e a entregou à criança. E quando ela ficou ali, parada assim, sem mais nada, de repente começaram a cair estrelas do céu, e eram todas elas reluzentes moedas de ouro. E embora ela tivesse dado a sua última camisa, de repente ela estava com uma camisa nova no corpo, e era do mais fino linho. E então ela recolheu as moedas naquela camisa e ficou rica por toda a vida.

Para ver fotos de feltragens profissas, acesse: http://flickr.com/photos/nushkie/sets/72157605031859989/

Uma batida forte na porta...




Hoje a Ludmila acordou ansiosa e desceu correndo as escadas... abriu a janelinha do calendário e viu que era dia de São Nicolau! O que será que ele traria? Ela logo achou as iniciais de chocolate e a cenoura mordida na janela, perto de onde deixamos os sapatinhos. Junto das letras dadas por Sinterklaas, tinha um quadro de lã (feito por mim), sendo este presente nosso, pra S. Nicolau não levar toda a fama...

Tomamos café, preparei os sanduíches das meninas, e saímos correndo pra escola. Chegando lá, encontramos outros pais e crianças, algumas vestidas a caráter, todos ansiosamente esperando Sinterklaas. Estávamos conversando na entrada quando, de repente, houve uma grande movimentação, e todos correram para a entrada oposta. Algumas crianças, para verem melhor, subiram nos murinhos. Outras, mais ousadas, treparam em muros altos e até numa árvore. Com certeza, uma boa vista. E logo vimos... Pela rua, vinham Sinterklaas e os Pieten, seus ajudantes. Passou por nós, deu a volta e entrou na escola por um grande portão, montado no Americo! Que emoção!
As crianças o receberam cantando, emocionadas. Depois de desmontar e saudar todo mundo no pátio, ele entrou na escola com os Pieten. Todas as classes se enfileiraram como de costume e entraram também. Foram todos para suas salas e depois pro salão, onde cantaram e ouviram uma história.

Depois a Lud me contou, que na volta para a sala, durante a aula, ouviram uma forte batida na porta! Quem seria?

Não eram só os conhecidos doces e presentes e o rastro de pedrinhas na entrada, mas... Sinterklaas, em pessoa, passou por cada uma das classes, onde falou com as crianças, que apresentaram algo e ganharam mais "pepernoten".

Nunca comemos tantos biscoitinhos em tão pouco tempo...

Transparência na janela da escola

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

DIYland - Na Terra do Faça Você Mesmo

Então, já falei que aqui na Holanda cada um tem que fazer as coisas meio que por si, não é?
É algo admirável até, essa independência. Auto-suficiência. Viemos pra cá para vivermos essa experiência com nossas filhas, que têm quase tudo, pode-se dizer, de mão-beijada.

Aqui as pessoas lavam e passam e limpam e cozinham sozinhas (disso eu sabia).
Alugam caminhão de mudança e carregam sua própria tralha. Pintam a casa, põem papel de parede. Instalam lustres, modem, telefone sozinhos. Lavam janelas, consertam escadas, instalam carpete, levam o lixo pra caçamba, e o material reciclável pro local apropriado. Abastecem o carro, limpam vidro, pagam. Vão pra escola, festa, e casamento chique a pé ou de bicicleta, e não de táxi nem de motorista.
Tudo bem, eu também gosto de ser auto-suficiente. E por que não conseguiria pegar meus legumes e frutas no supermercado, ver o nome e a foto do dito cujo, apertar as teclas, pesar e etiquetar o saquinho sozinha? Posso passar, pagar e empacotar as mesmas compras que já pesei, etiquetei e fechei sozinha, enquanto o caixa passa meus produtos e fica esperando empacotarmos tudo. Posso carregar tudo isso pra casa a pé ou de bicicleta, nas nossas próprias sacolas... mas não sozinha, que pesa muito! Tudo bem. Mesmo, mesmo. Cansei, mas adorei aprender a fazer isso.

O mais interessante de tudo, eu acho, é ter que passar o cartão, seja ele qual for, sozinha também. Em quase qualquer lugar que se compre algo - Vroom & Dressmann, Hema, H & M, Digros - eu mesma tenho que passar meu cartão do lado da tarja corretamente, escolher crédito (que eles, incrivelmente, não estão acostumados) ou débito (o preferido por estas bandas), apertar todas aquelas teclas, passar no leitor de chip ou assinar, dar vários Okeis, dar para o caixa, embrulhar para presente. Ufa.

É engraçado, eles nem querem ver qual cartão é. E alguns caixas nem sabem como passar o cartão, muito menos com chip, e o pior pra mim, que estou tão acostumada com esse dinheiro de plástico, é que alguns lugares grandes até nem aceitam cartão de crédito, só o do banco...

Só por essa amostra, deu pra perceber como somos mimados como clientes no Brasil. Nem de longe eu imaginava que um dia faria tudo isso. Eu, que fazia compras no Pão de Açúcar e no Carrefour, onde tem menino pra tudo - empacotar, carregar até o carro, levar até em casa! Que ia pra feira da Lorena onde tinha funcionário fazendo (sozinho) compra pra madame, menino pedindo pra carregar meu carrinho de verduras pra casa... que saía pra restaurante, com serviço de manobrista, onde o garçom traz não só a comida, a bebida, a sobremesa, a conta, mas a maquininha do cartão na mesa para ele passar... Que tem empregada pra fazer (quase) tudo em casa. Esse é o outro lado do "exagero" a que estamos acostumados.
O que será que um estrangeiro pensa dessa mordomia toda, hein??? Que somos dependentes de tudo e de todos? Que podemos? Que é só uma questão de costume? O que acham?

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Christen Gemeente e Advento

Saímos de novo, agora sem chuva nem neve, pra comemoração do 1o. domingo do Advento. Foi lindo! Como bons brasileiros, nos perdemos um pouco pelo caminho e chegamos atrasados ao Christen Gemeente. A cerimônia já tinha começado. Um padre contava uma história sobre um tocador de harpa e todos ouviam em silêncio.
Depois, numa espiral no chão feito de ramos de pinheiro, com uma grande vela acesa no centro, uma a uma as crianças foram acendendo uma vela na maçã e no final as velas todas iluminavam o caminho. Tudo ao som de harpa e outros instrumentos, que acompanhavam as músicas de Natal. A Lud estava meio encabulada, sem jeito de ir sozinha pegar, acender e colocar a vela na espiral. O padre deve ter percebido isso e deu uma mãozinha, pedindo que algumas mães fossem acabar de acender as velas restantes, dizendo que partes da espiral ainda estavam no escuro. Nessa hora, pedi a ela para irmos "ajudar" e a Lud finalmente quis ir... quando vi, a Giu também estava lá. Eu acabei só ficando na fila com elas, que depois foram sozinhas andar pela espiral e acender suas velas. A Lud disse que na escola fazem igual! Não é o máximo? Quando foi ou será o da querida nossa escola em SP?
Hoje a Lud abriu a 1a. janela deste calendário logo cedo...

Leidse Hout


casa de chá
chão de conchas

lago dos patos

veadinhos comendo

Domingo, depois de preparar a cesta de piquenique, saímos os quatro de bike – cada um na sua, a Lud na garupa do Paulo – pra conhecer o Parque Leidse Hout, a uns 15 minutos de casa. Vimos uns bichos, a casa de chá, demos uma andada. Paramos numa casinha na floresta pra nos abrigar da chuva de... não sei o nome daquilo, meio neve, meio granizo fino, molhado, e frio à beça (sleet?). Aquilo que não sei o nome virou neve e tudo ficou branquinho, nós, inclusive. Achei um guarda-chuva na bolsa e resolvemos enfrentar o tempo, e voltar pra casa antes que virasse nevasca... O passeio não chegou a ir por “neve abaixo” porque adoramos a experiência. Mas que esfriou e molhou, ah isso ninguém pode negar.
Antes...

e depois de 15 min. de neve