É algo admirável até, essa independência. Auto-suficiência. Viemos pra cá para vivermos essa experiência com nossas filhas, que têm quase tudo, pode-se dizer, de mão-beijada.
Aqui as pessoas lavam e passam e limpam e cozinham sozinhas (disso eu sabia).
Alugam caminhão de mudança e carregam sua própria tralha. Pintam a casa, põem papel de parede. Instalam lustres, modem, telefone sozinhos. Lavam janelas, consertam escadas, instalam carpete, levam o lixo pra caçamba, e o material reciclável pro local apropriado. Abastecem o carro, limpam vidro, pagam. Vão pra escola, festa, e casamento chique a pé ou de bicicleta, e não de táxi nem de motorista.
O mais interessante de tudo, eu acho, é ter que passar o cartão, seja ele qual for, sozinha também. Em quase qualquer lugar que se compre algo - Vroom & Dressmann, Hema, H & M, Digros - eu mesma tenho que passar meu cartão do lado da tarja corretamente, escolher crédito (que eles, incrivelmente, não estão acostumados) ou débito (o preferido por estas bandas), apertar todas aquelas teclas, passar no leitor de chip ou assinar, dar vários Okeis, dar para o caixa, embrulhar para presente. Ufa.
É engraçado, eles nem querem ver qual cartão é. E alguns caixas nem sabem como passar o cartão, muito menos com chip, e o pior pra mim, que estou tão acostumada com esse dinheiro de plástico, é que alguns lugares grandes até nem aceitam cartão de crédito, só o do banco...
Só por essa amostra, deu pra perceber como somos mimados como clientes no Brasil. Nem de longe eu imaginava que um dia faria tudo isso. Eu, que fazia compras no Pão de Açúcar e no Carrefour, onde tem menino pra tudo - empacotar, carregar até o carro, levar até em casa! Que ia pra feira da Lorena onde tinha funcionário fazendo (sozinho) compra pra madame, menino pedindo pra carregar meu carrinho de verduras pra casa... que saía pra restaurante, com serviço de manobrista, onde o garçom traz não só a comida, a bebida, a sobremesa, a conta, mas a maquininha do cartão na mesa para ele passar... Que tem empregada pra fazer (quase) tudo em casa. Esse é o outro lado do "exagero" a que estamos acostumados.
O que será que um estrangeiro pensa dessa mordomia toda, hein??? Que somos dependentes de tudo e de todos? Que podemos? Que é só uma questão de costume? O que acham?
2 comentários:
Ah Ieda,
Seu post me lembrou das francesas que sempre vejo no clube circulando, com unhas feitas, sorridentes, com cara de quem ganhou na loteria!
Os estrangeiros com os quais convivo no prédio ou que observo pelo bairro, costumo ver um misto de prazer imenso por estar sendo tão "mimado" e um certo desconforto com tanta desigualdade.
Em linhas gerais, aparecem mais os sorrisos satisfeitos e descansados...
Ana, acho que agora sabemos por que as francesas do clube andam com essa cara...
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