quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Serendipidade, Lewis Carroll, nhoque



Poisé. Quem nunca teve um momento "serendípico" na vida?
Serendipidade mais ou menos explica nossa vinda pra Holanda.

"Como vieram parar aqui?" É o que as pessoas daqui nos perguntam, muitas vezes, estranhando o fato de uma família brasileira escolher os Países Baixos pra morar, imaginando a bela vida tropical que teríamos/tínhamos (?) no Brasil. Ficam até meio inconformados, mas felizes, agradecidos.

Bem, nossa "escolha" tem a ver com dois fatos importantes.
O primeiro fato é o encontro com dois linguistas que conhecemos em ocasiões e épocas diferentes, Marc Van Oostendorp (olhaí a sopa de letrinhas!) e Geert Booij.

O Marc disse numa palestra: "O legal de ser linguista é que eles sempre encontram problemas onde ninguém vê nenhum. Cada um nessa sala já conversou com um linguista e sabe que de repente a conversa pode ser interrompida por causa de algum aspecto minúsculo do que foi dito".
Dito isso, acrescento que o Marc é um cara que consegue ficar pensando na diferença entre um t e um d por horas!!! (Isso é a cara do Paulo também...)
Pois foi essa figura que conhecemos em Manchester, Inglaterra, num jantar num restaurante indiano, onde, claro (por sorte!!), chegamos atrasadíssimos - 1 hora e meia depois porque ficamos dormindo no hotel, cansadíssimos depois daquele voo da morte da KLM (azar???) - e fomos sentar justo na mesa em que ele estava (sorte!!). Digo justo porque havia o resto do restaurante todo, mais de 60 pessoas.

O Geert é o professor que conhecemos em Toulouse, França, em outra viagem que fizemos, no fim de 2006. O Paulo apresentou um trabalho lá, e depois fomos todos almoçar no "bandejão" (rsrsr) da universidade. Ele e o Paulo se sentaram lado a lado numa mesa supercomprida e ficaram batendo papo.

Hoje, aqui em Leiden, estão Marc, Geert e Paulo, trabalhando na mesma universidade. Um assistindo às palestras do outro.

O segundo fato que nos fez escolher a Holanda, e precisamente Leiden, foi a escola das meninas. Para quem não sabe, ela segue a linha antroposófica.
Enfim. Uma das condições que nos impusemos pra vir foi que elas mantivessem algum laço com o Brasil e com a rotina delas através da escola.
E a Holanda é o país onde a pedagogia antroposófica mais floresceu, apesar de ter nascido na Alemanha.

Mas, voltando no tempo, como fomos parar nessa escola em SP?
O "acaso" de novo entra em cena. Eu conheci a escola durante minha terapia (sorte!!!), há muitos anos, numa fase muito deprê da minha vida... triste, triste (azar!?).
Bem, uma coisa levou a outra e aqui estamos nós. Vai saber, né?

Então, são esses os dois motivos mais óbvios que nos fizeram vir pra cá.

Claro que tudo que acontece pode ser encarado na hora como pura sorte ou um azar do caramba. Coincidência, destino.
Acaso.
Conjunção dos astros, alinhamento dos planetas, estava escrito nas estrelas...
Pode ser. Eu acredito em tudo isso (e em fadas e duendes e elfos também =))) ).

E adoro essa música aqui ó:

Epitáfio

Titãs

Composição: Sérgio Britto

Devia ter amado mais
Ter chorado mais
Ter visto o sol nascer
Devia ter arriscado mais
E até errado mais
Ter feito o que eu queria fazer...

Queria ter aceitado
As pessoas como elas são
Cada um sabe alegria
E a dor que traz no coração...

O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar...

Devia ter complicado menos
Trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr
Devia ter me importado menos
Com problemas pequenos
Ter morrido de amor...

Queria ter aceitado
A vida como ela é
A cada um cabe alegrias
E a tristeza que vier...

O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar...

Devia ter complicado menos
Trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr...

Mas o que tem isso a ver com serendipidade?
É algo como nosso "atirar no que viu e acertar no que não viu". Você tá andando e de repente tromba numa coisa muuuuito legal. Mais legal até do que a coisa que você ia fazer...
E é mais ou menos isso que aconteceu.
O Paulo queria se aprofundar nas pesquisas, eu, uma mudança de ares e... trombamos na Holanda!
Aqui tinha tudo: várias escolas antroposóficas, universidade, pesquisadores de ponta, cidade tranquila, fica na Europa, falam inglês bem à beça, fora o fato de não conhecermos o país (e isso é uma vantagem, sim, sim! serendipidade)...

Opa. Mas ainda tem que enfiar o Lewis Carroll nessa história, como eu disse no título.
Vamos ver se consigo através desse trechinho:

"'There is no use trying,' said Alice; 'one can't believe impossible things.'
'I dare say you haven't had much practice,' said the Queen. 'When I was your age, I always did it for half an hour a day. Why, sometimes I've believed as many as six impossible things before breakfast.'
— Lewis Carroll, Alice's Adventures in Wonderland

In a nutshell (PT - em resumo): "Treine, treine e, com a prática, você vai conseguir acreditar em pelo menos seis coisas impossíveis antes do primeiro gole de café”...

Para saber mais sobre serendipidade, leiam "Os Três Príncipes de Serendip".
Para se divertir muuuuito, e aprender a acreditar cada vez mais no impossível, leiam, sempre, sempre, "Alice no País das Maravilhas".
Para comer um nhoque maravilhoso com gente muito legal, Bexiga/SP, no Amigo Gianotti, todo dia 29. Isso é ajudar a sorte, e além disso o nhoque é impossível de bom!

Quero acrescentar que não tô dando curso nenhum de PNL, não tenho nada a ver com aquele negócio chamado "O Segredo" nem sou guru de coisa alguma...
Quanto ao poder do nhoque da fortuna todo dia 29, nesse eu boto a maior fé! Ah, e não esquece de levar alguma coisa pra botar embaixo do prato! Sugestões: lã, dólar, aluno, carro... o que vc estiver precisando.

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